segunda-feira, 19 de abril de 2010

Saudades do mercúrio-cromo

Correu, pulou, caiu. Acesa como um dia de verão sem nuvens e não ficou arrebatada. Um choramingo manhoso de cinco minutos e pronto, lá estava novamente serelepe.
Assim como se realmente fosse natural o tombo (e deveria ser) e fácil o recomeço(naturalmente não é). Seguiu, determinada e destemida, desbravando sem cicatrizes escuras nem olheiras profundas todo aquele universo encantador. O tombo já não importava e nem tão pouco a escoriação no cotovelo esquerdo que fora curada com assopros carinhosos. Importava a nova melhor amiga e os novos desafios na matemática e na amarelinha. Importava cada linha bem lida de um texto no quadro negro, o copo de leite quente após o banho, a promessa do dia melhor que nasceria.
Assim correu, pulou, caiu e levantou com facilidade, muitas vezes. Até o dia em que os tombos não causavam mais escoriações nos membros. Em que não causavam danos visíveis o bastante para que o assopro refrescasse. Então os choramingos passaram a durar mais tempo, ocultos, e as olheiras ficaram escuras e as cicatrizes profundas.

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