sábado, 18 de setembro de 2010

Um tchau pras crianças

Tudo parece que vai ser pra sempre, mas então as coisas mudam e machucam como quando a gente rala os joelhos brincando de pega pega. Alguns sentem mais dor e fazem um pouco mais de manha, outros nem se importam e continuam correndo, mas no fundo todos sentem a dorzinha chata até o machucado secar e a casquinha sair. E então nem se lembram mais daquele ralado porque a delícia de ser criança está na velocidade com a qual as coisas acontecem. De qualquer forma minha saudade não é de criança e continuará forte mesmo depois que a casquinha do machucado no joelho cair e não houver mais nenhum resto de dor. 
A mudança que vocês crianças do Curumim provocaram em mim vai permanecer mesmo depois que a lembrança da tia Ju ficar bem fraquinha. Resolvi escrever um texto de despedida pra vocês aqui no meu blog pra mostrar que gostei muito de tê-los conhecido. 
Um grande abraço e lembrem de mim quando fizerem as minhas brincadeiras favoritas: queimada e a dança do xepe-xepe. 

Um tcahu pras crianças crescidas

Um nome escrito num documento demorado e então a vida dá cambalhotas. Daí vem a decisão obrigatória de deixar toda aquela memória doce guardada no vão de uma despedida singela. O texto de homenagem não consegue ser bem articulado nem tão pouco coerente com o tamanho da alegria dolorida. E mesmo agora as frases são justapostas de forma quase aleatória representando lindamente a confusão dos sentimentos todos. As palavras são úmidas assim como os rostos ruborizados e o abraço apertado que não foi dado durante todo o tempo de convivência diária como se tivesse sido guardado só para que a raridade lhe atribuísse mais calor. Tudo úmido, salgado e difícil de aceitar. E ainda assim não conseguiu ter sabor de tristeza. Foi uma despedida satisfeita e feliz, doída a ponto de corroer o coração, mas ainda assim feliz. Atribuo ao meu amor pelas grandes e pequenas pessoas envolvidas nisso tudo a culpa por eu ter sentido a felicidade mais difícil da minha vida. Em setembro de 2010 descobri que felicidade pode doer e que amor tem mais formas do que eu podia imaginar. Até logo e obrigada por tudo, meus amigos!