Juliana Bertho
Nem tudo precisa ter propósito, coerência ou continuidade.
quinta-feira, 9 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
Simplesmente complexa
Às vezes quando se sabe bem o que quer da vida andando por um caminho errado num dia qualquer, uma revelação acontece. Percebe-se que por mais que pareça tudo certo e fácil nada está perfeito e nem estará nunca. Isso acontece justamente porque aquele caminho errado que se pega propositalmente, faz parte das escolhas de uma pessoa com toda a sua brilhante complexidade. Com todos aqueles fios soltos que quase a enforcam quando faz um movimento brusco, mas que de repente apenas se enrolam em nós escondidos atrás do reflexo perfeito nas vitrines espelhadas. Isso acontece àquela pessoa discretamente indomada. Aquela que sempre fica com o bagaço, que sempre pega os desafios, que rejeita o doce, que come o pão que o diabo amassou... e que o faz por livre e espontânea vontade. É a pessoa interessante que sofre por opção. Por que? Somente porque não cogita a possibilidade de ser simples.
sábado, 18 de setembro de 2010
Um tchau pras crianças
Tudo parece que vai ser pra sempre, mas então as coisas mudam e machucam como quando a gente rala os joelhos brincando de pega pega. Alguns sentem mais dor e fazem um pouco mais de manha, outros nem se importam e continuam correndo, mas no fundo todos sentem a dorzinha chata até o machucado secar e a casquinha sair. E então nem se lembram mais daquele ralado porque a delícia de ser criança está na velocidade com a qual as coisas acontecem. De qualquer forma minha saudade não é de criança e continuará forte mesmo depois que a casquinha do machucado no joelho cair e não houver mais nenhum resto de dor.
A mudança que vocês crianças do Curumim provocaram em mim vai permanecer mesmo depois que a lembrança da tia Ju ficar bem fraquinha. Resolvi escrever um texto de despedida pra vocês aqui no meu blog pra mostrar que gostei muito de tê-los conhecido.
Um grande abraço e lembrem de mim quando fizerem as minhas brincadeiras favoritas: queimada e a dança do xepe-xepe.
Um tcahu pras crianças crescidas
Um nome escrito num documento demorado e então a vida dá cambalhotas. Daí vem a decisão obrigatória de deixar toda aquela memória doce guardada no vão de uma despedida singela. O texto de homenagem não consegue ser bem articulado nem tão pouco coerente com o tamanho da alegria dolorida. E mesmo agora as frases são justapostas de forma quase aleatória representando lindamente a confusão dos sentimentos todos. As palavras são úmidas assim como os rostos ruborizados e o abraço apertado que não foi dado durante todo o tempo de convivência diária como se tivesse sido guardado só para que a raridade lhe atribuísse mais calor. Tudo úmido, salgado e difícil de aceitar. E ainda assim não conseguiu ter sabor de tristeza. Foi uma despedida satisfeita e feliz, doída a ponto de corroer o coração, mas ainda assim feliz. Atribuo ao meu amor pelas grandes e pequenas pessoas envolvidas nisso tudo a culpa por eu ter sentido a felicidade mais difícil da minha vida. Em setembro de 2010 descobri que felicidade pode doer e que amor tem mais formas do que eu podia imaginar. Até logo e obrigada por tudo, meus amigos!
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Não é
Tão depressa como um diabo fugindo da cruz. Não quis nada, nem eu quis. Ainda assim não era motivo pra não dizer um bom dia de despedida. Não que me importasse muito essas palavras em um dia que nada tinha de bom. O fato é que não foi nada do que eu esperava, nada do que merecia. Foi na surdina protegido pela distância dos meus pensamentos.
Outro dia me volta como se nem tivesse chegado e partido antes. Me tratando como uma nova amizade lavada e livre de verdades. Não é assim que a banda toca filho de uma... (não falo para que não suje a poesia). O que eu digo nem merece entrar pelos seus ouvidos desatentos. Minha saliva é rara e minhas palavras muito bem escolhidas para que sejam gastas com um pedaço de nada que é você. Ainda ousa me dizer que está feliz da vida como se me interessasse seu estado de graça.
Veio aqui para me dizer que está bem e que o resto é culpa minha? Pois afirmo que não é. Nem você é feliz e nem um grão de culpa é meu. Quando em um dia cinza abrir os olhos e levantar-se vazio da cama que não é minha, verá que não poderia ter achado felicidade longe da tua cruz, diabo. Verá que a culpa dessa ruína pertence só a ti. E que a infelicidade já não é minha companhia.
domingo, 6 de junho de 2010
Ausência de botequim
Naquelas esquinas de álcool e café
Sem pressa de voltar mesmo que voltar a pé
Nas tardes e noites vadias com luz
De vida pausada a vida que vem e seduz
E faz querer pra sempre
Que os rostos, sorrisos e vozes amigas estejam presentes
Na hora da ida promessas de volta, sementes
Ainda que não mude, ainda que não pare o dia
Nas tardes e noites vadias é o que a gente sente
Mas a procura por certezas só me faz distante
A cada curva, cada milha um pouco mais me perco
Antes do raso fui apoio, fui amor, amante
Agora água limpa e clara distorce o desejo
E vejo um sonho fácil em mim
Só quero um copo e um corpo, manequim
Naqueles fracassos doídos e certos que vêm
Invadem sem hora marcada a alma, só vêm
Pra um grande castelo de cartas, vêm ventania
E fazem querer que esvaeça molhado e quieto o dia
E se os rostos, sorrisos e vozes amigas não são tão presentes
Procuro nas cartas de antes manchadas, à tinta, bilhetes
A agenda renasce ao abrir a gaveta na estante
Só números velhos ex-decorados nos dedos num tempo distante
Lembrando os nomes e os sonhos perdidos, carente
E porque ninguém mudou e ninguém parou o dia
De feitos fracassos desejo por gente
Saudade rígida, ferida
Nas tardes e noites vazias é o que a gente sente
E a procura da grandeza é o que me faz pequeno
Todos os dias durmo cedo pra não ter saída
Quando embaraço meus cabelos na frente do espelho
É sempre em busca de uma face que ficou perdida
E olhando o jogo sério em mim
Desejo som, um beijo e botequim
Sem pressa de voltar mesmo que voltar a pé
Nas tardes e noites vadias com luz
De vida pausada a vida que vem e seduz
E faz querer pra sempre
Que os rostos, sorrisos e vozes amigas estejam presentes
Na hora da ida promessas de volta, sementes
Ainda que não mude, ainda que não pare o dia
Nas tardes e noites vadias é o que a gente sente
Mas a procura por certezas só me faz distante
A cada curva, cada milha um pouco mais me perco
Antes do raso fui apoio, fui amor, amante
Agora água limpa e clara distorce o desejo
E vejo um sonho fácil em mim
Só quero um copo e um corpo, manequim
Naqueles fracassos doídos e certos que vêm
Invadem sem hora marcada a alma, só vêm
Pra um grande castelo de cartas, vêm ventania
E fazem querer que esvaeça molhado e quieto o dia
E se os rostos, sorrisos e vozes amigas não são tão presentes
Procuro nas cartas de antes manchadas, à tinta, bilhetes
A agenda renasce ao abrir a gaveta na estante
Só números velhos ex-decorados nos dedos num tempo distante
Lembrando os nomes e os sonhos perdidos, carente
E porque ninguém mudou e ninguém parou o dia
De feitos fracassos desejo por gente
Saudade rígida, ferida
Nas tardes e noites vazias é o que a gente sente
E a procura da grandeza é o que me faz pequeno
Todos os dias durmo cedo pra não ter saída
Quando embaraço meus cabelos na frente do espelho
É sempre em busca de uma face que ficou perdida
E olhando o jogo sério em mim
Desejo som, um beijo e botequim
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