domingo, 6 de junho de 2010

Ausência de botequim

Naquelas esquinas de álcool e café
Sem pressa de voltar mesmo que voltar a pé
Nas tardes e noites vadias com luz
De vida pausada a vida que vem e seduz
E faz querer pra sempre
Que os rostos, sorrisos e vozes amigas estejam presentes
Na hora da ida promessas de volta, sementes
Ainda que não mude, ainda que não pare o dia
Nas tardes e noites vadias é o que a gente sente

Mas a procura por certezas só me faz distante
A cada curva, cada milha um pouco mais me perco
Antes do raso fui apoio, fui amor, amante
Agora água limpa e clara distorce o desejo
E vejo um sonho fácil em mim
Só quero um copo e um corpo, manequim

Naqueles fracassos doídos e certos que vêm
Invadem sem hora marcada a alma, só vêm
Pra um grande castelo de cartas, vêm ventania
E fazem querer que esvaeça molhado e quieto o dia
E se os rostos, sorrisos e vozes amigas não são tão presentes
Procuro nas cartas de antes manchadas, à tinta, bilhetes
A agenda renasce ao abrir a gaveta na estante
Só números velhos ex-decorados nos dedos num tempo distante
Lembrando os nomes e os sonhos perdidos, carente
E porque ninguém mudou e ninguém parou o dia
De feitos fracassos desejo por gente
Saudade rígida, ferida
Nas tardes e noites vazias é o que a gente sente

E a procura da grandeza é o que me faz pequeno
Todos os dias durmo cedo pra não ter saída
Quando embaraço meus cabelos na frente do espelho
É sempre em busca de uma face que ficou perdida
E olhando o jogo sério em mim
Desejo som, um beijo e botequim